Esta questão surgiu-me frequentemente, houve dias de desespero, de angústia, de profunda tristeza. Cheguei a ponderar várias vezes se valia a pena viver assim...
Nesta questão também a ajuda da minha psicóloga (Mónica) foi muito importante! Eu nem sou dada a depressões mas, depois de tantos anos a esforçar-me diariamente sem qualquer melhoria, até antes pelo contrário, encontrava-me bastante deprimida quando conheci a Mónica e os pensamentos de impotência, raiva, de tristeza invadiam a minha mente constantemente. Eu tinha perdido a fé, em Deus e em Mim.
E, inicialmente, quando a Mónica me dizia que iria sentir-me muito melhor, que todos os meus medos iriam desaparecer – sim, porque eu bombardeava-a constantemente com estas perguntas: “se algum dia iria sentir-me bem” – eu não acreditava. Foi com a sua paciência e insistência que comecei a ponderar que talvez eu fosse forte suficiente para vencer os meus medos, os fantasmas da minha mente.
“O controlo das emoções é um trabalho árduo e difícil de fazer. Dizem que o tempo cura tudo, neste caso acho que com o passar do tempo apenas conseguimos aprender a controlar.”
Cito parte do primeiro comentário que nós recebemos, o da Cláudia, aproveitando também para dizer que este post foi escrito após alguns dias de reflexão sobre ele.
E na minha opinião, sim, é um trabalho difícil e muitas vezes extenuante, vamos perdendo a confiança em nós, em quem nos ajuda, quando vemos o tempo a passar e parece que tudo continua na mesma mas recuperamos essa confiança novamente e ficamos um pouco mais fortes!
Eu, ao longo destes anos, cansei-me de certas expressões como: “O tempo cura tudo”, “Isso é do tempo, hoje está a chover, é normal que te sintas assim”, “Faz parte da adolescência” e expressões semelhantes.
Não, não é do tempo! Não, não é uma questão normal da adolescência quando um problema se torna tão intenso e presente no dia-a-dia que nos atormenta constantemente. Sim, o tempo ajuda mas não cura, não este tipo de questões. Precisamos de trabalhar e precisamos de tempo para começar a sentir a evolução do nosso trabalho.
“…apenas conseguimos aprender a controlar”, não é um apenas! Aprender a controlar a ansiedade é um alívio, é suficiente para vivermos uma vida normal e feliz. A ansiedade faz parte do nosso ser, é a ansiedade excessiva que nos paralisa de medo e quando controlada tornamo-nos em alguém funcional!
Estas minhas “notas” não têm como objectivo "criticar" o que foi comentado. Ao longo destes anos, à medida que vou conhecendo mais pessoas que sofrem de fobias ou outro tipo de distúrbio de ansiedade, dou conta de padrões que, inconscientemente, só nos prendem mais.
Foi um cabo dos trabalhos para a Mónica ir destruindo essas crenças que eu fui tomando como únicas verdades na minha vida. Ainda hoje, surpreendo-me muitas vezes com um pensamento negativo ou de pena em relação a mim própria.
Ainda hoje a Mónica me chama a atenção de coisas que eu vou dizendo sem sequer dar conta. Orientando a nossa posição face aos problemas que vão surgindo, o nosso modo de agir, de pensar, de analisar, faz com que se torne mais fácil enfrentar e ultrapassar um medo.
O post já vai longo mas quero só partilhar mais uma coisa convosco.
Há muitos anos comecei a sentir-me mal ao atravessar a ponte 25 de Abril, e aos poucos essa ansiedade generalizou-se a todas as pontes. Cheguei a evitá-las por anos. Apesar de ir sempre no banco de trás do carro e ter, consequentemente, a visão bastante diminuída sobre o tabuleiro, os tirantes, as vigas, toda a estrutura metálica, mal conseguia respirar. Todo o meu corpo ficava tenso mal entrava na ponte e passados poucos segundos tinha a certeza que iria morrer. Quando apanhávamos trânsito no acesso à ponte, toda a experiência ganhava uma dimensão ainda maior, aquele tempo de espera fazia com que a minha ansiedade atingisse um pico que eu pensei ser insuportável. Quando o trânsito era sobre a própria ponte, só pensava em sair do carro a qualquer momento e saltar.
Este verão descobri, ao passar pela ponte, que consegui ultrapassar esta fobia. Quando me vi sobre a ponte, com a respiração normal e a desfrutar da vista sobre o rio e sobre a outra margem, quase chorei de felicidade! Este era uma das fobias que eu pensava nunca conseguir ultrapassar e depois de todos estes anos, sentia-me bem como quando era criança.
Nem acreditava no que estava a acontecer. Quando saímos da ponte, pensei: “Só acredito nisto se da próxima vez que a atravessar, voltar a correr tudo bem”. Voltei a ultrapassá-la e senti-me bem!
Este bocadinho de felicidade que me preenche sempre que penso nisto já ninguém me tira… o que me faz pensar também em outra coisa… são tantas as coisas que fazemos de forma rotineira às quais não damos valor… e só passando por estas experiências damos conta do seu verdadeiro valor!
Espero que chegue aí uma pequena esperança, uma luz ao fundo no túnel!
Be.
Fantasmas da Mente
Sábado, 4 de Setembro de 2010
Terça-feira, 24 de Agosto de 2010
Pondo os pontos nos "i"'s
A maior parte das pessoas não sabe o que é nem como ou porque ocorrem estes ataques de ansiedade ou de pânico. No meu caso, tendo Transtorno de Ansiedade Generalizada, ao qual estão associados ataques de pânico, e como a minha psicóloga costuma dizer, já não é de defeito: é feitio. Isto porque sempre me lembro de ser muito difícil de enfrentar situações novas e foras da minha rotina.
Podia pôr aqui uma espécie de resumo meio científico para vos explicar o que é esta coisa, mas achei por bem dar conta disso por experiência própria. No fim, deixo-vos uns links onde podem consultar mais sobre o assunto.
Então, o que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada?
Em termos simples, é uma preocupação exagerada, excessiva e incontrolável, normalmente irracional, com as coisas do dia-a-dia. No meu caso, esta preocupação exagerada pode tornar-se mais aguda evoluindo, eventualmente, para um ataque de pânico, nos dias antes de um acontecimento importante: uma entrevista de emprego, uma saída à noite, quando conheço pessoas e espaços novos, ou quando faço alguma coisa contrariada. Também já me aconteceu quando fui para concertos (apesar de ser uma coisa que eu adoro fazer), quando fico sozinha em casa, quando vou jantar fora ou sair à noite e, claro, quando tenho apresentações orais na faculdade.
Há, também, coisas simples que podem desencadear esta ansiedade e que a maior parte das pessoas não imagina. Por exemplo: comer num espaço público (porque acho sempre que estou a fazer a maior porcaria e está toda a gente a olhar para mim), escrever com alguém a olhar (quando fazia testes era terrível…), ter que ir falar com o empregado do café para pedir alguma coisa, pedir informações na rua, ou o simples escorregar na calçada que me dá vontade de me enfiar por um buraco abaixo e nunca mais aparecer. Claro que se pode sentir uma certa vergonha nestas situações, mas o que acontece às pessoas que têm TAG (abreviando…) é que tomam uma importância desproporcional àquilo que realmente é. E o facto de saber isso, não torna a coisa menos complicada.
Por isso, gosto de passar despercebida, de lidar com pessoas que também não aspiram propriamente a ser o centro das atenções e de manter uma onda mais calma e relaxada porque me ajuda a mim própria a estar.
Há ainda que falar nos ataques de pânico.
Antes, costumavam começar uns dias antes do dia D. Ou seja: se eu sabia que ia sair à noite num sábado, quarta-feira já começava a “bater mal”. Agora já só acontecem no próprio dia ou, no máximo, na noite anterior, fazendo com que eu não consiga dormir, ou durma muito pouco.
Neste caso, os ataques de pânico são crises súbitas, sem factores desencadeantes aparentes e, frequentemente, incapacitantes. Depois de ter uma crise de pânico a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. No meu caso, originou uma fobia social.
E é esse precisamente o primeiro passo para o agravamento dos ataques de pânico: a fuga. Porquê? Porque, apesar de no momento nos causar alívio, posteriormente vão surgir os sentimentos de frustração, culpa, uma auto-crítica feroz por pensarmos que não conseguimos fazer certa coisa por um medo que não é racional. Nesta medida, os ataques de pânico podem tornar-se incapacitantes, até impedindo que consigamos sair de casa e fazer as coisas mais banais como ir às compras, sair com os amigos, passar para o lado de dentro da porta da faculdade (sim…o meu primeiro ano de faculdade foi todo à base de chegar à porta da faculdade, dar meia volta e voltar para casa) ou conseguir arranjar e manter um emprego.
Como sei que estou a ter uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico?
Então, os sintomas são vários e podem variar consoante as pessoas, porque não somos todos iguais e, o que me causa ansiedade a mim pode não causar a outra pessoa, e vice-versa.
Normalmente, no caso do TAG, tenho dificuldades de concentração, insónias, um estado de alerta constante, ondas de calor ou calafrios, costumo ter distorções da realidade, como se estivesse a sonhar, ou a andar nas nuvens, desconforto gastrointestinal, sensação de estar constantemente cansada e com sono, falta de ar, dificuldade em engolir, dores musculares e mau humor ou irritabilidade. Isto são sintomas que tendem a perdurar durante dias.
Em relação aos ataques de pânico, como são coisas muito mais repentinas e que duram menos do que os estados de ansiedade, normalmente o meu coração dispara, o peito começa a doer, começo a ter tonturas, náuseas, vontade de chorar e a sentir que vou perder o meu auto-controlo completamente. O meu primeiro pensamento e vontade é sair do sítio de onde estou para casa. Porque em casa, que é o meu porto seguro, não me vai acontecer nada. Certo? Claro. Mas depois fico a remoer o que poderia ter feito e não fiz, gerando os tais sentimentos de culpa e frustração que dão cabo da nossa auto-estima. Assim, tento o mais possível contrariar esse meu primeiro instinto de fuga. Tento enfrentar as situações e provar a mim mesma que não há nada que ter medo e que ao fim de umas horas vou estar bem e a divertir-me.
Como vêem, isto não é nada simples. Só consegui compreender, aceitar e começar a mudar os meus comportamentos com ajuda profissional. Consultas de psicologia, psicoterapia e, mais frequentemente, psiquiatria.
Eu sei, e conheço, quem seja contra os psicólogos, como se eles fossem uma espécie de charlatães. Pensem comigo: se têm problemas de coluna, vão ao ortopedista; se têm problemas de coração, vão ao cardiologista; se têm problemas de visão, vão ao oftalmologista. Se têm um problema psicológico, vão ao psicólogo! Não sei onde raio está a complicação, mas enfim.
O psicólogo ajuda e bastante. Por vezes compreende-nos melhor que os nossos amigos mais próximos que não conseguem aceitar ou perceber a doença que temos. Uma ida ao psicólogo não é, como nos filmes, sentarmo-nos num divã e começar a “despejar” a nossa vida, enquanto ele adormece na cadeira. Falamos do que nos transtorna, claro, do que nos dificulta a vida, do que nos aflige. Mas o profissional não tem um papel passivo, porque nos ajuda a ir à raiz do problema, força-nos a um autoconhecimento que nos vai permitir reconhecer o problema que temos que, posteriormente, vai possibilitar a cura ou, pelo menos, o atenuamento do problema.
Por isso, o que eu tenho a dizer a quem tenha este problema ou outra doença do foro psicológico é: procurem ajuda profissional, porque sozinho, muitas vezes, não se consegue sair do fosso. Eles são um dos pilares para que possam levar uma vida melhor com os outros e com vós próprios.
Para saberem mais, coloquei alguns links ali na barra lateral sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada e os ataques de pânico, ou Síndrome do Pânico.
Um abraço,
Diana.
Podia pôr aqui uma espécie de resumo meio científico para vos explicar o que é esta coisa, mas achei por bem dar conta disso por experiência própria. No fim, deixo-vos uns links onde podem consultar mais sobre o assunto.
Então, o que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada?
Em termos simples, é uma preocupação exagerada, excessiva e incontrolável, normalmente irracional, com as coisas do dia-a-dia. No meu caso, esta preocupação exagerada pode tornar-se mais aguda evoluindo, eventualmente, para um ataque de pânico, nos dias antes de um acontecimento importante: uma entrevista de emprego, uma saída à noite, quando conheço pessoas e espaços novos, ou quando faço alguma coisa contrariada. Também já me aconteceu quando fui para concertos (apesar de ser uma coisa que eu adoro fazer), quando fico sozinha em casa, quando vou jantar fora ou sair à noite e, claro, quando tenho apresentações orais na faculdade.
Há, também, coisas simples que podem desencadear esta ansiedade e que a maior parte das pessoas não imagina. Por exemplo: comer num espaço público (porque acho sempre que estou a fazer a maior porcaria e está toda a gente a olhar para mim), escrever com alguém a olhar (quando fazia testes era terrível…), ter que ir falar com o empregado do café para pedir alguma coisa, pedir informações na rua, ou o simples escorregar na calçada que me dá vontade de me enfiar por um buraco abaixo e nunca mais aparecer. Claro que se pode sentir uma certa vergonha nestas situações, mas o que acontece às pessoas que têm TAG (abreviando…) é que tomam uma importância desproporcional àquilo que realmente é. E o facto de saber isso, não torna a coisa menos complicada.
Por isso, gosto de passar despercebida, de lidar com pessoas que também não aspiram propriamente a ser o centro das atenções e de manter uma onda mais calma e relaxada porque me ajuda a mim própria a estar.
Há ainda que falar nos ataques de pânico.
Antes, costumavam começar uns dias antes do dia D. Ou seja: se eu sabia que ia sair à noite num sábado, quarta-feira já começava a “bater mal”. Agora já só acontecem no próprio dia ou, no máximo, na noite anterior, fazendo com que eu não consiga dormir, ou durma muito pouco.
Neste caso, os ataques de pânico são crises súbitas, sem factores desencadeantes aparentes e, frequentemente, incapacitantes. Depois de ter uma crise de pânico a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. No meu caso, originou uma fobia social.
E é esse precisamente o primeiro passo para o agravamento dos ataques de pânico: a fuga. Porquê? Porque, apesar de no momento nos causar alívio, posteriormente vão surgir os sentimentos de frustração, culpa, uma auto-crítica feroz por pensarmos que não conseguimos fazer certa coisa por um medo que não é racional. Nesta medida, os ataques de pânico podem tornar-se incapacitantes, até impedindo que consigamos sair de casa e fazer as coisas mais banais como ir às compras, sair com os amigos, passar para o lado de dentro da porta da faculdade (sim…o meu primeiro ano de faculdade foi todo à base de chegar à porta da faculdade, dar meia volta e voltar para casa) ou conseguir arranjar e manter um emprego.
Como sei que estou a ter uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico?
Então, os sintomas são vários e podem variar consoante as pessoas, porque não somos todos iguais e, o que me causa ansiedade a mim pode não causar a outra pessoa, e vice-versa.
Normalmente, no caso do TAG, tenho dificuldades de concentração, insónias, um estado de alerta constante, ondas de calor ou calafrios, costumo ter distorções da realidade, como se estivesse a sonhar, ou a andar nas nuvens, desconforto gastrointestinal, sensação de estar constantemente cansada e com sono, falta de ar, dificuldade em engolir, dores musculares e mau humor ou irritabilidade. Isto são sintomas que tendem a perdurar durante dias.
Em relação aos ataques de pânico, como são coisas muito mais repentinas e que duram menos do que os estados de ansiedade, normalmente o meu coração dispara, o peito começa a doer, começo a ter tonturas, náuseas, vontade de chorar e a sentir que vou perder o meu auto-controlo completamente. O meu primeiro pensamento e vontade é sair do sítio de onde estou para casa. Porque em casa, que é o meu porto seguro, não me vai acontecer nada. Certo? Claro. Mas depois fico a remoer o que poderia ter feito e não fiz, gerando os tais sentimentos de culpa e frustração que dão cabo da nossa auto-estima. Assim, tento o mais possível contrariar esse meu primeiro instinto de fuga. Tento enfrentar as situações e provar a mim mesma que não há nada que ter medo e que ao fim de umas horas vou estar bem e a divertir-me.
Como vêem, isto não é nada simples. Só consegui compreender, aceitar e começar a mudar os meus comportamentos com ajuda profissional. Consultas de psicologia, psicoterapia e, mais frequentemente, psiquiatria.
Eu sei, e conheço, quem seja contra os psicólogos, como se eles fossem uma espécie de charlatães. Pensem comigo: se têm problemas de coluna, vão ao ortopedista; se têm problemas de coração, vão ao cardiologista; se têm problemas de visão, vão ao oftalmologista. Se têm um problema psicológico, vão ao psicólogo! Não sei onde raio está a complicação, mas enfim.
O psicólogo ajuda e bastante. Por vezes compreende-nos melhor que os nossos amigos mais próximos que não conseguem aceitar ou perceber a doença que temos. Uma ida ao psicólogo não é, como nos filmes, sentarmo-nos num divã e começar a “despejar” a nossa vida, enquanto ele adormece na cadeira. Falamos do que nos transtorna, claro, do que nos dificulta a vida, do que nos aflige. Mas o profissional não tem um papel passivo, porque nos ajuda a ir à raiz do problema, força-nos a um autoconhecimento que nos vai permitir reconhecer o problema que temos que, posteriormente, vai possibilitar a cura ou, pelo menos, o atenuamento do problema.
Por isso, o que eu tenho a dizer a quem tenha este problema ou outra doença do foro psicológico é: procurem ajuda profissional, porque sozinho, muitas vezes, não se consegue sair do fosso. Eles são um dos pilares para que possam levar uma vida melhor com os outros e com vós próprios.
Para saberem mais, coloquei alguns links ali na barra lateral sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada e os ataques de pânico, ou Síndrome do Pânico.
Um abraço,
Diana.
Eu sou a Sara
Chamo-me Sara e tenho 26 anos. Depois de muitas indecisões, de parecer que “gostava de tudo”, de procurar já em desespero o meu caminho, lá arranjei coragem para mudar, mais uma vez (…), de licenciatura. No ano passado, voltei a fazer os exames nacionais e entrei em Bioquímica. E desta vez parece que acertei =D
Em miúda era bastante reguila, extrovertida, adorava fazer novos amigos e conhecer novos sítios, adorava tudo o que fosse novidade e fugisse à rotina.
E hoje, aparentemente, corre tudo bem. Aquilo que a maior parte das pessoas não sabe, é que enquanto me rio com os amigos numa esplanada, enquanto atravesso uma rua ou passeio por uma avenida, enquanto almoço na faculdade, enquanto estou numa simples sala de aula, temo pela minha vida.
A luta diária começou no dia em que festejei os meus 14 anos. Após ter estado uma manhã inteira e parte da tarde com um copo de leite na barriga, à espera que todos os meus amigos chegassem, almoçámos numa pizzaria e fomos até ao funcenter. O meu almoço parece que não foi o suficiente para compensar a minha tensão baixa e falta de açúcar que, juntamente com o barulho e o ambiente quente e abafado que se sentia nesse dia no interior do local de diversões, chegou para começar a sentir-me tonta, tal como acontecia quando desmaiava, e acabar por ter o meu primeiro ataque de pânico. Eu tinha a certeza que ia morrer e só queria fugir dali para fora!
Até aos 20/21 anos fui sofrendo, praticamente, em silêncio e muitas das vezes em que falava disto com uma ou outra amiga mais próxima, riam-se de mim… eu sentia-me bastante incompreendida e, principalmente, sozinha. O problema foi-se agravando até não conseguir sair de casa.
Entretanto, já desesperada, cedi e pedi à minha mãe que marcasse consulta num neurocirurgião, amigo da minha família, que acabou por recomendar aquela que ainda hoje é a minha psicóloga e muito me tem ajudado. Ela e o psiquiatra que entretanto me acompanhava concluíram que sofria de um distúrbio de ansiedade, a agorafobia.
Desde então, para além da ajuda da minha psicóloga e do meu actual psiquiatra, comecei a praticar yoga e a meditar, entre outras coisas, o que me ajudou bastante.
Assumir e reagir ao problema foi uma das etapas mais complicadas deste processo, levou anos pois estava convencida de que era “maluca” e se fosse vista por um médico, iria ser internada e não poderia continuar a estudar. Esse era o meu maior medo. E, alimentada por ele, tentava a todo o custo esconder-me de todas as pessoas. Esconder-me literalmente.
Se estivesse bem informada, se não me sentisse tão sozinha, se alguém me tivesse acompanhado desde cedo, acredito que não levaria tanto tempo a “destruturar” todas as crenças e vícios que a minha mente criou. E essa é uma das principais razões que me leva a partilhar esta parte da minha vida. Porque agora sei que é um problema que afecta muito mais pessoas do que se julga, com menor ou maior intensidade… e porque mesmo assim é ainda uma questão bastante desprezada...
Espero que possamos proporcionar um pouco daquilo que mais senti falta: informação, partilha e compreensão.
Sara
Em miúda era bastante reguila, extrovertida, adorava fazer novos amigos e conhecer novos sítios, adorava tudo o que fosse novidade e fugisse à rotina.
E hoje, aparentemente, corre tudo bem. Aquilo que a maior parte das pessoas não sabe, é que enquanto me rio com os amigos numa esplanada, enquanto atravesso uma rua ou passeio por uma avenida, enquanto almoço na faculdade, enquanto estou numa simples sala de aula, temo pela minha vida.
A luta diária começou no dia em que festejei os meus 14 anos. Após ter estado uma manhã inteira e parte da tarde com um copo de leite na barriga, à espera que todos os meus amigos chegassem, almoçámos numa pizzaria e fomos até ao funcenter. O meu almoço parece que não foi o suficiente para compensar a minha tensão baixa e falta de açúcar que, juntamente com o barulho e o ambiente quente e abafado que se sentia nesse dia no interior do local de diversões, chegou para começar a sentir-me tonta, tal como acontecia quando desmaiava, e acabar por ter o meu primeiro ataque de pânico. Eu tinha a certeza que ia morrer e só queria fugir dali para fora!
Até aos 20/21 anos fui sofrendo, praticamente, em silêncio e muitas das vezes em que falava disto com uma ou outra amiga mais próxima, riam-se de mim… eu sentia-me bastante incompreendida e, principalmente, sozinha. O problema foi-se agravando até não conseguir sair de casa.
Entretanto, já desesperada, cedi e pedi à minha mãe que marcasse consulta num neurocirurgião, amigo da minha família, que acabou por recomendar aquela que ainda hoje é a minha psicóloga e muito me tem ajudado. Ela e o psiquiatra que entretanto me acompanhava concluíram que sofria de um distúrbio de ansiedade, a agorafobia.
Desde então, para além da ajuda da minha psicóloga e do meu actual psiquiatra, comecei a praticar yoga e a meditar, entre outras coisas, o que me ajudou bastante.
Assumir e reagir ao problema foi uma das etapas mais complicadas deste processo, levou anos pois estava convencida de que era “maluca” e se fosse vista por um médico, iria ser internada e não poderia continuar a estudar. Esse era o meu maior medo. E, alimentada por ele, tentava a todo o custo esconder-me de todas as pessoas. Esconder-me literalmente.
Se estivesse bem informada, se não me sentisse tão sozinha, se alguém me tivesse acompanhado desde cedo, acredito que não levaria tanto tempo a “destruturar” todas as crenças e vícios que a minha mente criou. E essa é uma das principais razões que me leva a partilhar esta parte da minha vida. Porque agora sei que é um problema que afecta muito mais pessoas do que se julga, com menor ou maior intensidade… e porque mesmo assim é ainda uma questão bastante desprezada...
Espero que possamos proporcionar um pouco daquilo que mais senti falta: informação, partilha e compreensão.
Sara
Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Apresentação: Diana
O meu nome é Diana, tenho 25 anos e sou uma recém-licenciada que vai começar o seu primeiro ano de mestrado já em Outubro. Sou licenciada em Línguas, Literatura e culturas, com variante em Estudos Ingleses e Americanos, e o mestrado que vou tirar é, também ele, nessa área.
Porém, se agora acabei mais uma etapa académica, o meu percurso não foi sempre linear e calmo. Antes pelo contrário. Entrei na faculdade aos 19 anos, porque quando saí do secundário não entrei no curso por 3 centésimas... Então, candidatei-me no ano seguinte e entrei. E foi aí que os meus problemas começaram (quase) todos.
Sempre fui uma rapariga tímida, reservada, introvertida e algo contida. Sempre tive dificuldades nos primeiros dias de escola, sempre que mudei de escolas, sempre que conhecia pessoas e espaços novos. Até para ir de férias para um sítio diferente, a coisa complicava-se sempre. No fundo, tudo o que fugia à rotina, aos espaços e pessoas conhecidas, mexia com o meu sistema nervoso.
A ida para o secundário representou um momento importante na minha vida: escola nova, muito maior que a anterior, pessoas que eu não conhecia (até porque só uma colega minha, com quem eu não me dava, é que foi para humanidades) e, apesar da escola ser a 5 minutos da minha casa, a integração foi bastante difícil. Ah, há também aquela fase da nossa vida chamada adolescência. Lembram-se disso? Pois... nada fácil.
Tudo isto exacerbou a minha baixa auto-estima e auto-confiança. E, mesmo depois tendo tido um percurso relativamente normal até ao 12º ano, estes sentimentos de insegurança sempre lá estiveram.
A entrada para a faculdade foi um grande golpe para mim. Escola enorme, espaço completamente desconhecido, não sei quantos bares, três reprografias, um pavilhão com salas de aula fora do edifício principal, salas distribuídas para um lado, departamentos para o outro, secretaria para o outro, enfim, nada do que eu estava habituada. Para além disso, mais uma vez, não conhecia ninguém. E vá que naquela faculdade, onde as coisas quase nunca correm como esperado, o facto de não ter o apoio de ninguém nas matriculas e nos primeiros dias de aulas ainda tornou mais difícil a tarefa de me manter motivada para lá ir. E foi por isso que chumbei no primeiro ano.
Foi nesse ano, em 2004, num dia que não conseguia praticamente sair da cama e com ataques de choro constantes que pedi ajuda à minha mãe para me marcar uma consulta de psicologia porque me apercebi que aquilo que eu sentia não era normal. E se continuasse poderia adquirir proporções ainda piores.
Foi então que me foi diagnosticada uma coisa chamada Transtorno de Ansiedade Generalizada e também, na altura, Depressão.
Falarei em posts mais oportunos e mais detalhados do que é esta ansiedade que, no meu caso, levava e ainda leva a ataques de pânico, e também da depressão.
Comecei, assim, a ter consultas de psicologia de duas em duas semanas, depois comecei a fazer psicoterapia e a coisa lá começou a andar para a frente. Assumir-se que se tem um problema é o primeiro passo para conseguirmos ultrapassar qualquer situação. Depois de muito trabalho de introspecção, de auto-conhecimento e de ajuda profissional lá comecei a melhorar e, desde 2004, sou uma pessoa com um pensamento diferente, mudada e mais madura interiormente. Ainda continuo a ser acompanhada pela minha psicóloga, pelo psiquiatra, tomo medicação leve e, apesar de ainda continuar a ter ataques de ansiedade e de pânico, nada é como há seis anos atrás.
Chumbei o primeiro ano, depois fiz os dois anos do curso onde estava e mudei de curso. O que parecem ser três anos perdidos, para mim foram três anos de aprendizagem onde, apesar de na altura tudo me parecer bastante confuso, lá consegui encarreirar e recomeçar do zero. Entrei num curso que passei a adorar, fiz amigos novos, conheci professores excelentes que passei a admirar, licenciei-me e parto agora para mais uma jornada académica: o mestrado.
Com este blog espero ter a oportunidade de, através das minha experiências, expor este problema de que pouco se fala, e que quando se fala tende sempre a ser menosprezado, por vezes com comentários do tipo "Ansiedade toda a gente tem! Não sejas maricas e vai masé trabalhar!" Quantas vezes eu já não ouvi coisas deste tipo...
Espero que se sintam à vontade em visitar, comentar, desabafar e perguntar!
Um abraço,
Diana
Porém, se agora acabei mais uma etapa académica, o meu percurso não foi sempre linear e calmo. Antes pelo contrário. Entrei na faculdade aos 19 anos, porque quando saí do secundário não entrei no curso por 3 centésimas... Então, candidatei-me no ano seguinte e entrei. E foi aí que os meus problemas começaram (quase) todos.
Sempre fui uma rapariga tímida, reservada, introvertida e algo contida. Sempre tive dificuldades nos primeiros dias de escola, sempre que mudei de escolas, sempre que conhecia pessoas e espaços novos. Até para ir de férias para um sítio diferente, a coisa complicava-se sempre. No fundo, tudo o que fugia à rotina, aos espaços e pessoas conhecidas, mexia com o meu sistema nervoso.
A ida para o secundário representou um momento importante na minha vida: escola nova, muito maior que a anterior, pessoas que eu não conhecia (até porque só uma colega minha, com quem eu não me dava, é que foi para humanidades) e, apesar da escola ser a 5 minutos da minha casa, a integração foi bastante difícil. Ah, há também aquela fase da nossa vida chamada adolescência. Lembram-se disso? Pois... nada fácil.
Tudo isto exacerbou a minha baixa auto-estima e auto-confiança. E, mesmo depois tendo tido um percurso relativamente normal até ao 12º ano, estes sentimentos de insegurança sempre lá estiveram.
A entrada para a faculdade foi um grande golpe para mim. Escola enorme, espaço completamente desconhecido, não sei quantos bares, três reprografias, um pavilhão com salas de aula fora do edifício principal, salas distribuídas para um lado, departamentos para o outro, secretaria para o outro, enfim, nada do que eu estava habituada. Para além disso, mais uma vez, não conhecia ninguém. E vá que naquela faculdade, onde as coisas quase nunca correm como esperado, o facto de não ter o apoio de ninguém nas matriculas e nos primeiros dias de aulas ainda tornou mais difícil a tarefa de me manter motivada para lá ir. E foi por isso que chumbei no primeiro ano.
Foi nesse ano, em 2004, num dia que não conseguia praticamente sair da cama e com ataques de choro constantes que pedi ajuda à minha mãe para me marcar uma consulta de psicologia porque me apercebi que aquilo que eu sentia não era normal. E se continuasse poderia adquirir proporções ainda piores.
Foi então que me foi diagnosticada uma coisa chamada Transtorno de Ansiedade Generalizada e também, na altura, Depressão.
Falarei em posts mais oportunos e mais detalhados do que é esta ansiedade que, no meu caso, levava e ainda leva a ataques de pânico, e também da depressão.
Comecei, assim, a ter consultas de psicologia de duas em duas semanas, depois comecei a fazer psicoterapia e a coisa lá começou a andar para a frente. Assumir-se que se tem um problema é o primeiro passo para conseguirmos ultrapassar qualquer situação. Depois de muito trabalho de introspecção, de auto-conhecimento e de ajuda profissional lá comecei a melhorar e, desde 2004, sou uma pessoa com um pensamento diferente, mudada e mais madura interiormente. Ainda continuo a ser acompanhada pela minha psicóloga, pelo psiquiatra, tomo medicação leve e, apesar de ainda continuar a ter ataques de ansiedade e de pânico, nada é como há seis anos atrás.
Chumbei o primeiro ano, depois fiz os dois anos do curso onde estava e mudei de curso. O que parecem ser três anos perdidos, para mim foram três anos de aprendizagem onde, apesar de na altura tudo me parecer bastante confuso, lá consegui encarreirar e recomeçar do zero. Entrei num curso que passei a adorar, fiz amigos novos, conheci professores excelentes que passei a admirar, licenciei-me e parto agora para mais uma jornada académica: o mestrado.
Com este blog espero ter a oportunidade de, através das minha experiências, expor este problema de que pouco se fala, e que quando se fala tende sempre a ser menosprezado, por vezes com comentários do tipo "Ansiedade toda a gente tem! Não sejas maricas e vai masé trabalhar!" Quantas vezes eu já não ouvi coisas deste tipo...
Espero que se sintam à vontade em visitar, comentar, desabafar e perguntar!
Um abraço,
Diana
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