Esta questão surgiu-me frequentemente, houve dias de desespero, de angústia, de profunda tristeza. Cheguei a ponderar várias vezes se valia a pena viver assim...
Nesta questão também a ajuda da minha psicóloga (Mónica) foi muito importante! Eu nem sou dada a depressões mas, depois de tantos anos a esforçar-me diariamente sem qualquer melhoria, até antes pelo contrário, encontrava-me bastante deprimida quando conheci a Mónica e os pensamentos de impotência, raiva, de tristeza invadiam a minha mente constantemente. Eu tinha perdido a fé, em Deus e em Mim.
E, inicialmente, quando a Mónica me dizia que iria sentir-me muito melhor, que todos os meus medos iriam desaparecer – sim, porque eu bombardeava-a constantemente com estas perguntas: “se algum dia iria sentir-me bem” – eu não acreditava. Foi com a sua paciência e insistência que comecei a ponderar que talvez eu fosse forte suficiente para vencer os meus medos, os fantasmas da minha mente.
“O controlo das emoções é um trabalho árduo e difícil de fazer. Dizem que o tempo cura tudo, neste caso acho que com o passar do tempo apenas conseguimos aprender a controlar.”
Cito parte do primeiro comentário que nós recebemos, o da Cláudia, aproveitando também para dizer que este post foi escrito após alguns dias de reflexão sobre ele.
E na minha opinião, sim, é um trabalho difícil e muitas vezes extenuante, vamos perdendo a confiança em nós, em quem nos ajuda, quando vemos o tempo a passar e parece que tudo continua na mesma mas recuperamos essa confiança novamente e ficamos um pouco mais fortes!
Eu, ao longo destes anos, cansei-me de certas expressões como: “O tempo cura tudo”, “Isso é do tempo, hoje está a chover, é normal que te sintas assim”, “Faz parte da adolescência” e expressões semelhantes.
Não, não é do tempo! Não, não é uma questão normal da adolescência quando um problema se torna tão intenso e presente no dia-a-dia que nos atormenta constantemente. Sim, o tempo ajuda mas não cura, não este tipo de questões. Precisamos de trabalhar e precisamos de tempo para começar a sentir a evolução do nosso trabalho.
“…apenas conseguimos aprender a controlar”, não é um apenas! Aprender a controlar a ansiedade é um alívio, é suficiente para vivermos uma vida normal e feliz. A ansiedade faz parte do nosso ser, é a ansiedade excessiva que nos paralisa de medo e quando controlada tornamo-nos em alguém funcional!
Estas minhas “notas” não têm como objectivo "criticar" o que foi comentado. Ao longo destes anos, à medida que vou conhecendo mais pessoas que sofrem de fobias ou outro tipo de distúrbio de ansiedade, dou conta de padrões que, inconscientemente, só nos prendem mais.
Foi um cabo dos trabalhos para a Mónica ir destruindo essas crenças que eu fui tomando como únicas verdades na minha vida. Ainda hoje, surpreendo-me muitas vezes com um pensamento negativo ou de pena em relação a mim própria.
Ainda hoje a Mónica me chama a atenção de coisas que eu vou dizendo sem sequer dar conta. Orientando a nossa posição face aos problemas que vão surgindo, o nosso modo de agir, de pensar, de analisar, faz com que se torne mais fácil enfrentar e ultrapassar um medo.
O post já vai longo mas quero só partilhar mais uma coisa convosco.
Há muitos anos comecei a sentir-me mal ao atravessar a ponte 25 de Abril, e aos poucos essa ansiedade generalizou-se a todas as pontes. Cheguei a evitá-las por anos. Apesar de ir sempre no banco de trás do carro e ter, consequentemente, a visão bastante diminuída sobre o tabuleiro, os tirantes, as vigas, toda a estrutura metálica, mal conseguia respirar. Todo o meu corpo ficava tenso mal entrava na ponte e passados poucos segundos tinha a certeza que iria morrer. Quando apanhávamos trânsito no acesso à ponte, toda a experiência ganhava uma dimensão ainda maior, aquele tempo de espera fazia com que a minha ansiedade atingisse um pico que eu pensei ser insuportável. Quando o trânsito era sobre a própria ponte, só pensava em sair do carro a qualquer momento e saltar.
Este verão descobri, ao passar pela ponte, que consegui ultrapassar esta fobia. Quando me vi sobre a ponte, com a respiração normal e a desfrutar da vista sobre o rio e sobre a outra margem, quase chorei de felicidade! Este era uma das fobias que eu pensava nunca conseguir ultrapassar e depois de todos estes anos, sentia-me bem como quando era criança.
Nem acreditava no que estava a acontecer. Quando saímos da ponte, pensei: “Só acredito nisto se da próxima vez que a atravessar, voltar a correr tudo bem”. Voltei a ultrapassá-la e senti-me bem!
Este bocadinho de felicidade que me preenche sempre que penso nisto já ninguém me tira… o que me faz pensar também em outra coisa… são tantas as coisas que fazemos de forma rotineira às quais não damos valor… e só passando por estas experiências damos conta do seu verdadeiro valor!
Espero que chegue aí uma pequena esperança, uma luz ao fundo no túnel!
Be.
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